segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pooka

A Pooka (ou Púca em irlandês, que significa "espectro", "fantasma"...) é uma das fadas mais temidas pelos irlandeses por ser uma dos sídhe mais maliciosos, "badass" e por poder assumir as mais assustadoras formas possíveis e imagináveis e também as mais sedutoras.
Em áreas remotas de Down, esta fada se mostra um pequeno goblin deformado que exige parte da

plantação ao final da colheita. Em partes de Laois, a pooka assume a forma de um ser espectral que aterroriza todos que estejam fora de suas casas à noite. Em Waterford e Wexford, aparece como uma águia com enormes asas. Em Roscommon, como um bode negro com chifres curvados. Ou como um cavalo negro que tem uma fumaça incandescente saindo de seus olhos e boca.
Independente de como apareça, a púca tem a tendência a querer machucar humanos, seja física ou psicologicamente. Tomando como vítima aqueles que perambulam à noite pelas estradas. Quem já teve a oportunidade de andar a pé por essas estradinhas do interior irlandês sabe que se sente o tempo todo olhos nos vigiando. Existem contos que relatam viajantes que se perdiam e quando encontrados diante de uma casa, eram convidados a entrar e passar a noite só para na manhã seguinte acordar a beira de um precipício ou simplesmente não acordar. Tudo pelo poder de ilusionar os pobres mortais.
Porém, como sempre, muitos folcloristas descrevem ações da pooka que não condizem com sua natureza maléfica. Existe um caso recolhido por Lady Wilde que conta a história de Padraig, filho de um fazendeiro, que um dia percebeu a presença invisível de uma pooka nas redondezas. Padrig então o chamou e ofereceu seu casaco à fada. A fada apareceu na forma de um jovem touro e disse para o garoto ir ao moinho à noite. Daquele dia em diante, as pookas iam secretamente à noite realizar o trabalho de moer o milho até formar farinha, até o dia em que Padrig deu-lhes de presente uma peça de roupa feita de seda. Com este presente, os pookas nunca mais voltaram ao moinho, mas mesmo assim, o fazendeiro já tinha conseguido bastante dinheiro para dar uma boa educação a seu filho e se aposentar. Quando Padrig se casou, as fadas deixaram para ele um presente, um cálice de ouro cheio de um líquido desconhecido, mas que assegurou sua felicidade por toda a vida.
Algumas outras vezes, a pooka, avisa os humanos sobre perigos ou realiza profecias quando apropriado. Diz-se que numa colina de Leinster, um lustroso garanhão surgiu num dia de novembro e que respondia de forma própria e inteligente a todos sobre qualquer assunto até novembro do ano seguinte. As pessoas costumavam levar presentes e deixar aos pés da colina.
E esta é uma das formas em que o pooka mais se apresenta, um grande cavalo negro. Até bem recentemente, ao sul de Fermanagh, uma tradição dizia que este mesmo cavalo falante surgia durante o Bilberry Sunday (uma espécie de festival da colheita que acontecia ao final do mês de julho em que se juntava todos os mirtilhos - fraochán em irlandês.)
O Ard Rí (O Grande Rei), Brian Boru, foi o único a controlar as pooka. Brian Boru, usando um arreio contendo 3 pelos da calda de um pooka, montou o cavalo mágico e o cavalgou até que o animal se rendesse à sua vontade. O Rei então conseguiu duas promessas da fada: que elas nunca mais atormentariam os cristãos e arruinariam suas propriedades e que nunca mais atacasse outro irlandês (mas os estrangeiros estão permitidos), exceto aqueles que estejam bêbados e/ou fora de suas casas com intenções más. No entanto, parece que estas promessas foram esquecidas ao passar do tempo, pois casos associados ao pooka continuam até hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário